Onde mora o racismo?

No último dia 22 de abril, no meio de mais um tiroteio entre a polícia militar do Rio de Janeiro e supostos traficantes mais um trabalhador perde a vida. Esta situação que já está se tornando rotina na cidade maravilhosa, desta vez a vítima era dançarino de um programa da rede Globo e mais uma vez a população do morro Pavão e Pavãozinho próximos à Copacabana realizaram protestos e foram duramente reprimido pela polícia militar.

O aumento da violência após o chamado programa de pacificação das UPP’s, mostra a verdadeira face desta política tão comemorada pelos governos estadual, municipal e federal. Qual esta face? A continuidade do caveirão, a repressão desenfreada a qualquer mobilização pelas reivindicações do povo trabalhador e o “modus operandi” da polícia que segue a cartilha do “atira primeiro e depois pergunta”.

O caso Amarildo até o momento sem solução, os acorrentamentos e surras em jovens suspeitos de furtos, o assassinato e arrastamento por 350 metros da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira e agora o assassinato de DG, esses são os casos que por vários motivos alcançaram as manchetes da grande mídia, mas e a violência cotidiana da “polícia pacificadora”? O que temos visto é o brutal aumento da violência policial contra o povo trabalhador e a juventude, deixando traços de barbárie em vésperas da Copa do Mundo.

O que tinham em comum estes casos? Todos eram trabalhadores, moradores de comunidades pobres e tinham a pele escura. Coincidência? Nenhuma na nossa opinião.

O racismo, ideologia nascida junto com o capitalismo para dividir o povo oprimido e justificar uma exploração e opressão injustificada está muito mais enraizado nos órgãos de repressão e na burocracia estatal e privada e se multiplica por mil nas situações de crise social e econômica.

Como podemos observar, a PM e seus soldados são doutrinados a acreditarem estar numa guerra e não precisa ir muito longe para saber quem é o inimigo, aqueles que se parecem com os bandidos, com os malvados, os malfeitores, com “os do mal” etc. E como no senso comum social se descreveria esse sujeito social? Precisa responder? Sim vou responder: Preto e Pobre para começar e depois vem o resto, “mal vestido”, boné na cabeça, jovem. Essas são as principais vítimas nos confrontos com “suspeitos”.

Vale lembrar que a Rio de Janeiro foi o primeiro estado a implementar as cotas raciais para as universidades e nos serviços públicos e como podemos comprovar a violência contra a juventude negra continua a mesma, as desigualdades sociais continuam as mesmas, ou até pioraram. Seguramente não se combate o racismo com cotas raciais, essa é uma conclusão óbvia.

O combate ao racismo só pode ser eficaz à partir da igualdade de direitos de fato, para todos. E punição rigorosa para os racistas, em especial nos órgãos públicos.

Toda solidariedade às famílias de todos os Amarildos, DG’s, Claudias e tantas outras vítimas da violência policial e do racismo.

A cada dia aumenta a luta de classes e o povo trabalhador e a juventude começa a se mobilizar, se organizar na luta pelas reivindicações resistindo e gritando mais alto a brutal repressão e violência do estado. Não tardará o dia que esses governantes cheios de sangue da juventude e da classe trabalhadora em suas mãos pagarão por seus crimes.

 

26 abril 2014

 José Carlos Miranda

Coord. Movimento Negro Socialista

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